O discurso hegemônico nas ciências da saúde submete as neurodivergências ao paradigma da patologia, que enquadra a divergência neurológica como déficit a ser corrigido rumo à norma neurotípica. Este trabalho tem por objetivo analisar o paradigma da patologia, suas consequências e a pertinência de um paradigma da neurodiversidade, articulando-o ao modelo social da deficiência como ferramentas para a despatologização e a inclusão das pessoas neurodivergentes. Adotou-se a pesquisa bibliográfica qualitativa, sob a forma de revisão de literatura, a partir das formulações de Nick Walker e Debora Diniz. A análise evidenciou que ambos os referenciais deslocam a causa da desvantagem do indivíduo para a estrutura social, de modo que a desabilitação emerge não de um defeito inato, mas do descompasso entre as necessidades do sujeito e um ambiente que não as acomoda. Conclui-se que a transição do paradigma da patologia para o paradigma da neurodiversidade constitui exigência ética e política, que pode deslocar o foco da correção de comportamentos para a remoção de barreiras sociais e a construção de ambientes acessíveis à multiplicidade dos modos de existir.