As transformações socioculturais da contemporaneidade têm produzido mudanças significativas nas formas de experimentar o amor e construir vínculos afetivos. Em um contexto marcado pela aceleração do tempo, pela lógica do consumo, pela hiperconectividade e pela valorização da autonomia individual, as relações amorosas tornam-se cada vez mais instáveis e transitórias. O presente estudo tem como objetivo analisar a fragilidade dos vínculos afetivos na modernidade, compreendendo o amor como fenômeno socialmente construído e atravessado pelas dinâmicas culturais, econômicas e subjetivas da contemporaneidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza básica, caráter exploratório e procedimento bibliográfico, fundamentada nas contribuições de Zygmunt Bauman, bell hooks, Byung-Chul Han, Eva Illouz e Gilles Lipovetsky. Como complemento analítico, foram examinadas letras de músicas populares contemporâneas enquanto expressões culturais que refletem percepções e representações do amor na atualidade. Os resultados evidenciam que a ampliação da liberdade individual não tem sido acompanhada pelo fortalecimento dos vínculos, produzindo experiências recorrentes de insegurança emocional, superficialidade das relações, medo da vulnerabilidade e solidão. Conclui-se que a fragilidade dos laços afetivos está associada às transformações estruturais da modernidade e à expansão da lógica consumista para o campo das relações humanas.