A violência em relacionamentos marcados por dinâmicas narcísicas frequentemente ultrapassa a relação entre agressor e vítima, envolvendo também mecanismos familiares de negação, minimização e descrédito da agressão. O presente estudo tem como objetivo analisar a construção da incredulidade diante dos relatos de violência em relacionamentos narcísicos, compreendendo-a como fenômeno psíquico e social. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, fundamentada em autores da psicanálise, sociologia e teoria feminista. Os resultados indicam que a incredulidade funciona como mecanismo de defesa individual e coletivo, destinado à preservação da imagem familiar idealizada e das estruturas simbólicas que sustentam relações de poder. A negação do sofrimento produz efeitos significativos na subjetividade da vítima, contribuindo para o isolamento, a culpa e a dificuldade de ruptura com relações abusivas. Conclui-se que o reconhecimento da violência exige não apenas validação individual da vítima, mas também o enfrentamento das estruturas simbólicas e culturais que favorecem a manutenção do silêncio e da violência.