O presente capítulo discute o Plantão Psicológico como uma modalidade de cuidado voltada ao acolhimento imediato do sofrimento humano, especialmente diante das dificuldades de acesso aos serviços de saúde mental. Trata-se de um relato de experiência de abordagem qualitativa, fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa, proposta por Carl Rogers, e na noção de escrevivência desenvolvida por Conceição Evaristo. A experiência foi construída a partir da atuação em um serviço de Plantão Psicológico vinculado à formação acadêmica, possibilitando reflexões sobre a escuta clínica como prática de reconhecimento, validação e produção de sentidos. Durante os atendimentos, observou-se predominância de demandas relacionadas ao sofrimento psíquico, conflitos interpessoais, vulnerabilidades sociais e experiências de invisibilização subjetiva, evidenciando a necessidade de espaços acessíveis de acolhimento e expressão. Nesse contexto, a escrevivência mostrou-se uma importante ferramenta de elaboração da experiência, permitindo registrar e ressignificar encontros clínicos marcados pela singularidade das narrativas. A experiência também destacou a relevância da supervisão clínica como dispositivo de sustentação ética e técnica para os estagiários, bem como a construção de um e-book interativo voltado à promoção da saúde mental. Os achados reforçam o Plantão Psicológico como uma prática humanizada, acessível e socialmente comprometida, capaz de favorecer cuidado, reconhecimento e fortalecimento subjetivo.