O capítulo apresenta um estudo de caso sobre o acompanhamento psicológico de uma criança de cinco anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em contexto de clínica-escola, fundamentado na perspectiva fenomenológica e na Gestalt-terapia infantil. O objetivo foi refletir sobre as contribuições do brincar para a construção do vínculo terapêutico e para a ampliação das possibilidades de contato da criança consigo mesma, com o outro e com o ambiente. A análise dos registros clínicos evidenciou que comportamentos inicialmente compreendidos como dificuldades, tais como a intensa movimentação e a exploração constante dos espaços, puderam ser compreendidos como formas singulares de ajustamento criativo e construção de familiaridade com o ambiente. Os resultados indicaram que o brincar constituiu um importante mediador da relação terapêutica, favorecendo experiências de confiança, compartilhamento e suporte para o contato. Ao longo do processo, observou-se ampliação gradual das interações compartilhadas, maior permanência nas atividades e fortalecimento do vínculo com a terapeuta. Conclui-se que a Gestalt-terapia infantil oferece contribuições relevantes para a compreensão do TEA ao valorizar a singularidade da experiência infantil e os processos relacionais envolvidos na construção do contato.