Este capítulo examina os impactos da masculinidade hegemônica sobre a dinâmica da coparentalidade, a partir de um estudo de caso conduzido com um pai de duas filhas. Fundamentado na perspectiva comportamental-contextual e nos estudos críticos sobre masculinidades, a análise evidencia padrões recorrentes de esquiva emocional, delegação de funções afetivas à mãe e rigidez relacional como desdobramentos diretos de um modelo cultural que desencoraja a expressão de vulnerabilidade nos homens. O capítulo discute como esses mecanismos comprometem a cooperação parental e a qualidade dos vínculos familiares, ao mesmo tempo em que produzem sofrimento psíquico e isolamento nos próprios homens. Conclui-se que a coparentalidade pode ser um espaço privilegiado para a construção de novas masculinidades, desde que intervenções clínicas e políticas públicas fomentem práticas de vulnerabilidade compartilhada e corresponsabilidade afetiva.