O ambiente acadêmico, historicamente construído sobre bases elitistas e excludentes, tem se revelado um espaço de reprodução de desigualdades e de perpetuação de práticas discriminatórias. Este resumo expandido tem como objetivo analisar a prevalência e as características do preconceito e da discriminação vivenciados por membros da comunidade acadêmica brasileira, bem como as reações das vítimas e de seus pares diante dessas situações. A partir dos dados de uma pesquisa quanti-qualitativa aplicada a 150 respondentes, constatou-se que 68% dos participantes já foram vítimas de algum tipo de preconceito ou discriminação. Entre os tipos de discriminação mais relatados, destacam-se raça/cor (40%), condição socioeconômica (19%) e gênero (18,1%). A reação predominante diante do preconceito foi a resignar-se, 68,6% dos entrevistados afirmaram ter ignorado a situação, enquanto apenas 12,4% apontaram o comportamento do agressor e 16,2% denunciaram em canais formais. O silêncio e a omissão também marcaram a reação das pessoas ao redor, que frequentemente fingem não perceber ou se calam diante do ocorrido. Os resultados evidenciam que a universidade, embora seja um espaço de produção de conhecimento e de crítica social, ainda não conseguiu se transformar em um ambiente efetivamente acolhedor e seguro para a diversidade, sobretudo para grupos historicamente marginalizados.