A relação entre atividade sexual e desempenho esportivo permanece cercada por crenças, tabus e interpretações sem base empírica consistente. Este capítulo discute, sob a perspectiva da psicologia do esporte, os possíveis efeitos da atividade sexual sobre o rendimento atlético, considerando aspectos fisiológicos, psicológicos e socioculturais. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, com ênfase em estudos que investigaram o impacto da atividade sexual antes de competições e em pesquisas que abordam ansiedade, relaxamento, sono e percepção de prontidão competitiva. A literatura revisada aponta que a atividade sexual, quando realizada horas antes da prática esportiva, não demonstra prejuízo consistente sobre força, resistência, potência, reação ou capacidade aeróbica. Em contrapartida, possíveis efeitos positivos incluem redução da tensão, melhora subjetiva do bem-estar e favorecimento do sono, fatores que podem contribuir indiretamente para a performance. Ainda assim, crenças individuais, cultura esportiva e o contexto emocional do atleta influenciam fortemente a percepção sobre o tema. Conclui-se que a atividade sexual não deve ser tratada, de forma generalizada, como fator nocivo ao desempenho, sendo mais adequado avaliar o indivíduo, o momento da relação e o tipo de modalidade esportiva.