Este ensaio teórico analisa o fenômeno da camuflagem social (masking) em adultos autistas sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. A camuflagem social constitui uma estratégia exaustiva de emulação do comportamento neurotípico em resposta à rejeição ambiental crônica. Sob a lente metapsicológica junguiana, argumenta-se que a manutenção prolongada desse mecanismo promove uma hipertrofia defensiva da Persona e a dissolução do Ego no papel social representado. Como contrapartida, as características intrínsecas da neurodivergência são dissociadas e empurradas para a Sombra, estabelecendo uma atitude consciente de extrema unilateralidade. A tensão contínua desse arranjo esvazia a libido disponível no sistema, resultando no colapso energético da psique contemporaneamente caracterizado como burnout autístico, além de quadros de ansiedade crônica e depressão. Do ponto de vista clínico, conclui-se que o manejo terapêutico deve afastar-se de posturas adaptativas normativas e atuar como catalisador na desidentificação da Persona. O espaço analítico deve proporcionar a flexibilização dessa máscara e a integração consciente da Sombra, reconciliando o sujeito com sua arquitetura biológica e psicológica singular de modo a viabilizar o processo de individuação.