A saúde da mulher constitui um campo prioritário das políticas públicas brasileiras, considerando que as necessidades de cuidado ultrapassam os aspectos reprodutivos e envolvem dimensões biológicas, sociais, culturais, econômicas e de gênero. Nesse contexto, a dignidade menstrual emerge como uma temática relacionada aos direitos humanos, à equidade e à garantia do acesso universal à saúde. A pobreza menstrual, caracterizada pela dificuldade de acesso a produtos menstruais, infraestrutura adequada, informações seguras e serviços de saúde, representa uma condição que pode comprometer a qualidade de vida, a participação social, escolar e profissional de pessoas que menstruam. Este capítulo tem como objetivo discutir a relação entre as políticas públicas de saúde da mulher no Brasil e a promoção da dignidade menstrual, abordando os principais marcos legais, o Programa de Proteção e Promoção da Saúde e Dignidade Menstrual, a atuação da Atenção Primária à Saúde e o papel da enfermagem nesse processo. Trata-se de uma reflexão fundamentada em documentos normativos nacionais e referências científicas que evidenciam a necessidade de estratégias intersetoriais para o enfrentamento das desigualdades menstruais. Os resultados demonstram avanços importantes na incorporação da dignidade menstrual na agenda pública brasileira, porém permanecem desafios relacionados ao acesso, informação, infraestrutura sanitária, redução de estigmas e qualificação dos profissionais de saúde. Conclui-se que garantir dignidade menstrual significa assegurar direitos fundamentais e fortalecer práticas de cuidado integral, humanizado e equitativo.