A violência de gênero constitui um fenômeno complexo atravessado por construções históricas, culturais e sociais relacionadas à dominação masculina e à naturalização de práticas de controle e violência nas relações afetivas. Este estudo tem como objetivo relatar uma intervenção grupal realizada com homens privados de liberdade autores de violência doméstica, vinculados à Lei Maria da Penha, em uma unidade prisional masculina do interior do estado do Rio de Janeiro. Trata-se de um relato de experiência de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de uma dinâmica reflexiva conduzida por uma enfermeira e uma assistente social com 13 participantes. A atividade utilizou fios coloridos como representação simbólica dos vínculos sociais e culturais associados ao machismo estrutural e aos padrões de violência aprendidos ao longo da vida. Ao final da dinâmica, os participantes foram convidados a cortar os fios, simbolizando o desejo de romper com comportamentos violentos e padrões patriarcais internalizados. Os resultados evidenciaram reflexões sobre masculinidade, responsabilização afetiva e reprodução intergeracional da violência, demonstrando potencial como estratégia socioeducativa e de promoção da saúde mental no contexto prisional.