Os abscessos faciais correspondem às coleções localizadas de material purulento nos tecidos moles da face, podendo apresentar origem odontogênica ou não odontogênica. Entre as causas não odontogênicas, destacam-se infecções cutâneas associadas à manipulação inadequada de lesões acneicas, favorecendo a disseminação bacteriana para planos mais profundos. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de abscesso facial não odontogênico secundário à infecção cutânea, enfatizando aspectos diagnósticos e terapêuticos de seu manejo cirúrgico. Trata-se de um estudo de caso realizado em ambulatório de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Paciente do sexo masculino, 19 anos, procurou atendimento com aumento de volume doloroso em região de base mandibular esquerda, com aproximadamente uma semana de evolução, após manipulação prévia de lesão acneica. Ao exame clínico, observou-se coleção purulenta flutuante, eritema e dor à palpação, sem alterações intraorais ou evidências de foco odontogênico. O tratamento consistiu em drenagem cirúrgica sob anestesia local, instalação de dreno para manutenção da drenagem contínua e terapia medicamentosa adjuvante. O acompanhamento pós-operatório demonstrou regressão satisfatória dos sinais inflamatórios, adequada cicatrização e ausência de recidiva. Conclui-se que a identificação da origem da infecção e a intervenção cirúrgica precoce são determinantes para o sucesso terapêutico dos abscessos faciais de origem cutânea.