A osteonecrose dos maxilares relacionada ao uso de bisfosfonatos, atualmente denominada osteonecrose dos maxilares associada a medicamentos (MRONJ), representa uma condição clínica de grande relevância na prática odontológica e médica. Este estudo teve como objetivo analisar os aspectos fisiopatológicos, fatores de risco, diagnóstico e abordagens terapêuticas dessa condição, destacando sua importância clínica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, realizada a partir de buscas nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e Scielo, utilizando descritores relacionados ao tema. Os resultados evidenciam que a fisiopatologia da MRONJ é multifatorial, envolvendo principalmente a inibição da atividade osteoclástica, redução do turnover ósseo, efeitos antiangiogênicos e alterações no microambiente imunológico. Observa-se que os bisfosfonatos, especialmente os nitrogenados, interferem na via do mevalonato, promovendo apoptose de osteoclastos e comprometendo a remodelação óssea, o que, associado a fatores locais como infecções e traumas cirúrgicos, favorece o desenvolvimento da necrose. Além disso, alterações na resposta inflamatória, na sinalização celular e na função mitocondrial contribuem para a progressão da doença. Do ponto de vista clínico, a condição apresenta manifestações variadas, sendo o diagnóstico baseado principalmente em critérios clínicos associados à história medicamentosa do paciente. O manejo pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade do quadro, com ênfase na prevenção, controle de infecções e manutenção da qualidade de vida do paciente. Conclui-se que a osteonecrose dos maxilares associada ao uso de bisfosfonatos constitui uma condição complexa, que exige abordagem multidisciplinar e conhecimento aprofundado por parte dos profissionais de saúde. A atuação preventiva do cirurgião-dentista, aliada ao diagnóstico precoce e ao manejo adequado, é fundamental para a redução da morbidade e para a melhoria dos desfechos clínicos.