A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos dimórficos do complexo Sporothrix spp. e atualmente figura entre as principais zoonoses fúngicas emergentes, especialmente no Brasil. O aumento dos casos em humanos e animais, associado principalmente à transmissão por felinos domésticos, tem impulsionado pesquisas sobre os mecanismos responsáveis pela patogenicidade desses microrganismos. Os fatores de virulência são essenciais para o estabelecimento da infecção, adaptação ao hospedeiro e progressão da doença. Entre os principais mecanismos descritos destacam-se o dimorfismo térmico, a produção de melanina, a expressão de glicoproteínas de superfície, a secreção de enzimas hidrolíticas, a formação de biofilmes e os processos de evasão da resposta imune. Além disso, diferenças entre as espécies do complexo Sporothrix influenciam diretamente a virulência e a manifestação clínica da esporotricose. Este capítulo teve como objetivo revisar os principais fatores de virulência e mecanismos patogênicos de Sporothrix spp., enfatizando sua participação na interação fungo-hospedeiro e sua importância para a compreensão da epidemiologia, do diagnóstico e do tratamento da doença. A análise da literatura demonstra que a virulência resulta da atuação integrada de múltiplos fatores moleculares e celulares, com destaque para Sporothrix brasiliensis, reconhecida como a espécie de maior potencial patogênico.