A dor neuropática é uma condição crônica complexa, caracterizada por sensibilização periférica e central, neuroinflamação persistente e alterações estruturais e funcionais no sistema nervoso. Os tratamentos disponíveis atualmente apresentam limitações como eficácia insuficiente, efeitos adversos sistêmicos e incapacidade de modular adequadamente os processos neuroinflamatórios multifatoriais que são subjacentes à cronificação da dor. Com base nesse cenário, abordagens em nanotecnologia estão ganhando destaque como alternativas terapêuticas inovadoras para o manejo da dor neuropática, sobretudo por sua capacidade de atuar direcionada em mecanismos fisiopatológicos da doença. Porém, devido às limitações nanotecnológicas convencionais, como rápida depuração pelo sistema fagocítico mononuclear, baixa biodisponibilidade e potencial de imunogenicidade, o enfoque foi redirecionado para o desenvolvimento de carreadores biomiméticos, incluindo nanopartículas revestidas por membranas celulares que podem mimetizar funções endógenas, modulando respostas neuroinflamatórias envolvidas na causa e perpetuação da dor neuropática. Atuam principalmente na redução da ativação microglial e do estresse oxidativo, no sequestro de citocinas pró-inflamatórias e na modulação de vias moleculares associadas à sensibilização nociceptiva periférica e central. Diante disso, o objetivo deste capítulo foi discutir as evidências recentes relacionadas ao potencial terapêutico de nanopartículas biomiméticas como carreadoras no manejo da dor neuropática. Para isso, foi realizada uma revisão da literatura nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS, utilizando os descritores “nanomedicine”, “biomimetic nanoparticles” e “neuropathic pain”, contemplando publicações entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês, de acordo com critérios de elegibilidade previamente estabelecidos, foram selecionados 59 artigos.Os estudos analisados indicaram que o uso dessas estratégias é promissor na redução da hiperalgesia e da alodinia, reúne resultados consistentes em modelos pré-clínicos murinos de dor neuropática induzida por lesão nervosa, quimioterápicos e processos degenerativos. Também foi observado o impacto na integridade de barreiras biológicas e sobre a inflamação sistêmica, um fator diretamente associado à perpetuação da dor crônica. Diante disso, as terapias cell-free vêm se consolidando e impulsionando significativamente o avanço dessas abordagens. Embora ainda não existam ensaios clínicos que avaliem diretamente essas plataformas no manejo da DN, o conjunto das evidências disponíveis reforça seu potencial terapêutico. Assim, considerando sua capacidade de interferir em múltiplos eixos fisiopatológicos da doença, evidencia-se a necessidade de fomentar novas pesquisas voltadas para a estratégia.