A neuropatia diabética (ND) é a principal complicação do diabetes, associada com dor, perda de sensibilidade e risco de amputação de membros. Os tratamentos atualmente disponíveis possuem limitações, como efeitos adversos ou alívio insatisfatório da dor. Nesse contexto, a probioticoterapia tem se destacado entre as modalidades terapêuticas apontadas no manejo da ND. No entanto, devido às limitações das formulações probióticas e respostas variáveis, tem sido proposto o uso de derivados de bactérias probióticas, como as vesículas extracelulares (VEs). As VEs probióticas possuem a capacidade de sinalizar eventos fisiopatológicos complexos, mediando respostas metabólicas, imunológicas e neuroinflamatórias envolvidas na patogênese da ND. Dentro desse contexto, o objetivo do estudo foi discutir as evidências recentes associadas ao potencial terapêutico das VEs probióticas no manejo da ND. Após uma revisão da literatura nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS, utilizando os descritores “extracellular vesicles”, “vesicle probiotic”, “probiotic”, “diabetic neuropathy”, “inflammation” e “pain” contemplando publicações entre 2015 e 2026, nos idiomas português e inglês e com os critérios de elegibilidade estabelecidos, foram selecionados 42 artigos. Os estudos analisados demonstraram que a utilização das VEs probióticas é promissora na ND. Os estudos analisados incluíram ensaios com VEs de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas e apresentaram efeitos imunomoduladores, a diminuição do estresse oxidativo e a manutenção da homeostase metabólica. Ainda, resultaram na redução da glicemia e na melhora da integridade da barreira intestinal, promovendo a proteção da circulação contra a translocação de lipopolissacarídeos do lúmen intestinal, um fator que contribui diretamente para a inflamação sistêmica. Adicionalmente, estudos demonstraram que as VE probióticas estimulam a polarização para o fenótipo M2 (anti-inflamatório). Nesse sentido, a terapia cell-free tem demonstrado crescimento robusto, impulsionando intensamente as pesquisas voltadas para essa área. Apesar de não ter estudos que utilizem as VEs para o manejo da ND, o conjunto das evidências ressalta o potencial dessa estratégia. Portanto, considerando o potencial terapêutico das VE sobre a fisiopatologia da doença e o avanço da terapia cell-free, destaca-se a relevância de fomentar novas pesquisas direcionadas para essa abordagem.