Este estudo analisa a utilização da tecnologia assistiva de baixa complexidade baseada em estímulos multissensoriais no Atendimento Educacional Especializado (AEE) como ferramenta de promoção da saúde e prevenção de agravos para estudantes com deficiências múltiplas e sensoriais profundas. Em meio à crescente hegemonia dos ecossistemas digitais e da inteligência artificial na educação, investiga-se o paradoxo de que as inovações de maior impacto emancipatório para corpos com severas restrições perceptivas residem no estímulo tátil, olfativo, gustativo, térmico e vibracional primário. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza básica, de abordagem qualitativa, do tipo descritivo-bibliográfico. A fundamentação teórica articula referenciais da educação inclusiva, da neurobiologia da percepção e da saúde coletiva. Os resultados indicam que a exploração intencional de texturas, aromas de produtos de higiene, variações térmicas e vibrações acústicas atua diretamente na estruturação do esquema corporal, na prevenção de lesões de pele, complicações respiratórias e estresse sensorial. Conclui-se que a verdadeira "alta tecnologia" na educação inclusiva consiste na mediação pedagógica capaz de traduzir os saberes da saúde para o registro dos sentidos remanescentes, garantindo o direito ao bem-estar e à dignidade corporal.