As violências de gênero e sexualidade permanecem entre os problemas mais graves de saúde coletiva no Brasil: em 2023, foram registrados mais de 2.800 feminicídios e 74.930 casos de estupro notificados (FBSP, 2024), além de o país figurar entre os que mais matam pessoas trans e travestis no mundo (GGB, 2023). A Educação Sexual crítica constitui ferramenta reconhecida de prevenção dessas violências, de infecções sexualmente transmissíveis e de gravidez não planejada na adolescência. Este capítulo analisa como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Documento Curricular Referencial do Ceará (DCRC) tratam as temáticas de gênero, sexualidade e Educação Sexual, interpretando o apagamento lexical desses termos como ato discursivo de exclusão. Trata-se de pesquisa documental de abordagem qualitativa, ancorada na Análise Crítica do Discurso de Fairclough, articulada às noções de silêncio discursivo (Orlandi) e cidadania linguística (Stroud). A análise revela silenciamento sistemático na BNCC, substituído pelo campo semântico da família, e uma relação ambivalente no DCRC, que reproduz esse silêncio nas prescrições curriculares operacionais, mas apresenta insurgências localizadas em seções transversais. Conclui-se que o silenciamento curricular da Educação Sexual compromete políticas de educação em saúde voltadas à prevenção de violências e ISTs, reforçando a necessidade de vigilância epistemológica na formação docente.