O bullying configura-se como um problema de saúde pública contemporâneo, acarretando repercussões severas ao desenvolvimento biopsicossocial infantil. O presente estudo relata uma intervenção de educação em saúde conduzida por discentes de Medicina da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), sob supervisão docente, junto a escolares do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental de uma instituição pública em Mossoró-RN. A metodologia pautou-se em estratégias ativas de ensino-aprendizagem, com enfoque na prevenção do bullying e da violência escolar, na promoção da alteridade e no respeito às diversidades. Os resultados evidenciaram uma elevada demanda reprimida por espaços de fala, com ampla adesão e participação dos escolares. Foi identificado um cenário de vulnerabilidade emocional marcado por relatos críticos de sofrimento psíquico, incluindo quadros sugestivos de ansiedade e ideação suicida associados à exclusão social. A interação dialógica permitiu a desconstrução de estigmas e o acolhimento das demandas dos escolares. Conclui-se que a intervenção reafirma a urgência de institucionalizar tais temáticas no currículo escolar de forma transversal e contínua, visando a mitigação de danos e o fortalecimento das redes de proteção à saúde mental infantil.