A depressão em pessoas idosas não decorre da soma mecânica de fatores isolados, mas da articulação entre desigualdades estruturais, condições clínicas, perdas funcionais, experiências psicossociais e capacidade de resposta dos serviços. Objetivou-se propor um modelo epidemiológico integrador da vulnerabilidade aos sintomas depressivos, com aplicação à Atenção Primária à Saúde (APS). Realizou-se revisão crítica com busca estruturada na PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde e SciELO, atualizada em 12 de junho de 2026, priorizando artigos revisados por pares publicados entre 2022 e 2026. A síntese foi organizada por convergência, divergência, temporalidade, plausibilidade causal e aplicabilidade. As evidências sustentaram relações entre sintomas depressivos e desvantagem socioeconômica, multimorbidade, dor, fragilidade, perdas sensoriais, limitação funcional, solidão, isolamento e baixa participação social, mas mostraram heterogeneidade de mensuração e limites para inferência causal. Propõe-se um modelo composto por determinantes estruturais, vulnerabilidades clínicas e funcionais, exposições psicossociais, processos intermediários, recursos protetores e resposta da APS. O modelo não é instrumento diagnóstico ou preditivo; constitui estrutura conceitual para orientar hipóteses, vigilância, rastreamento contextual e planejamento de cuidados sem individualizar desigualdades socialmente produzidas.