A malária apresenta distribuição territorial heterogênea na Amazônia brasileira e exige métodos capazes de distinguir variações aleatórias de mudanças epidemiologicamente relevantes. Este capítulo discute como a bioestatística transforma registros de vigilância em evidências para planejamento, previsão e avaliação das ações de controle. Realizou-se revisão narrativa e documental de artigos e documentos técnicos publicados, preferencialmente, entre 2020 e 2026. Foram sistematizadas aplicações de estatística descritiva, indicadores de incidência, séries temporais, regressão para dados de contagem, análise espacial, modelos hierárquicos, aprendizado de máquina e métricas de validação. Os estudos demonstram que médias e frequências são indispensáveis, porém insuficientes para explicar sazonalidade, autocorrelação, excesso de zeros e heterogeneidade entre municípios, áreas indígenas, rurais e de garimpo. Modelos temporais e espaço-temporais permitem identificar tendências, quantificar associações ambientais e produzir previsões; entretanto, resultados dependem da qualidade do SIVEP-Malária, da escolha adequada dos denominadores e da avaliação de incertezas. Conclui-se que o uso responsável da bioestatística fortalece a vigilância preditiva e a alocação territorial de recursos, contribuindo para as metas de eliminação da doença.