A hanseníase permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em áreas marcadas por vulnerabilidades socioeconômicas. Objetivou-se analisar a incidência e o perfil epidemiológico da hanseníase, entre 2016 e 2020, em municípios do litoral e do sertão de Pernambuco e da Paraíba. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, obtidos por meio do DATASUS, e indicadores sociais. Foram analisadas características sociodemográficas, clínicas e epidemiológicas, além dos coeficientes de detecção da doença. No período, foram notificados 17.179 casos nos dois estados, dos quais 9.216 ocorreram nos municípios estudados, sendo 87,59% em Pernambuco e 12,41% na Paraíba. Predominaram casos com forma clínica dimorfa, classificação operacional multibacilar e grau zero de incapacidade física, sendo a cura o principal tipo de saída. A forma dimorfa correspondeu a 40,40% dos casos. Os coeficientes de detecção apresentaram importante heterogeneidade territorial, com municípios classificados como hiperendêmicos. Pernambuco apresentou maior endemicidade que a Paraíba, evidenciando a necessidade de fortalecer a vigilância, o diagnóstico precoce e as políticas públicas voltadas ao controle da hanseníase.