A leishmaniose cutânea (LC) é uma doença tropical negligenciada cuja distribuição epidemiológica pode ser influenciada por condições climáticas, ambientais e socioeconômicas. Este estudo objetivou analisar a influência da variabilidade climática sobre a distribuição epidemiológica da LC, considerando sua relação com a dinâmica dos vetores e os fatores ambientais associados à transmissão. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura, conduzida em agosto de 2026, conforme as diretrizes PRISMA, nas bases ScienceDirect, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Foram incluídos artigos originais, publicados entre 2021 e 2026, em português ou inglês, com acesso gratuito ao texto completo. Dos 1.796 registros identificados, 14 estudos compuseram a amostra final. Os estudos concentraram-se principalmente no Oriente Médio e Norte da África, com destaque para o Irã. A temperatura apresentou maior destaque entre as variáveis climáticas investigadas, associando-se à atividade, distribuição e adequabilidade ambiental dos flebotomíneos, enquanto precipitação e umidade apresentaram efeitos heterogêneos entre as regiões. Modelagens climáticas indicaram possíveis alterações na distribuição dos vetores e nas áreas favoráveis à transmissão. Conclui-se que a variabilidade climática está relacionada à dinâmica epidemiológica da LC, mas seus efeitos dependem da interação com fatores ambientais, vetoriais e socioeconômicos.