A resistência aos antimicrobianos (RAM) constitui um desafio para a saúde pública, impulsionando a busca por alternativas, entre elas a fagoterapia. Este trabalho objetivou analisar a utilização de bacteriófagos no enfrentamento de bactérias multidrogra-resistentes. Trata-se de uma revisão sistemática realizada conforme as recomendações do PRISMA, utilizando as bases de dados PubMed, ScienceDirect e BVS com os descritores “Bacteriophages”, “Drug Resistance, Bacterial” e “Public Health”, combinados pelo operador “AND”. Foram analisados 20 estudos, os quais demonstraram predominância envolvendo Acinetobacter baumannii e Klebsiella pneumoniae, correspondendo a 30% (n=6), seguidos por Pseudomonas aeruginosa (15%; n=3) e Staphylococcus aureus (10%; n=2). A associação entre bacteriófagos e antimicrobianos foi a estratégia terapêutica prevalente, presente em 35% (n=7), enquanto coquetéis de fagos foram utilizados em 15% (n=3). A atividade antimicrobiana e antibiofilme foram os principais efeitos observados, incluindo redução da carga bacteriana, melhora da cicatrização e aumento da sobrevivência em modelos experimentais. Ademais, 75% (n=15) apresentaram resultados in vivo. Apesar dos resultados promissores, a predominância de evidências pré-clínicas e a heterogeneidade dos protocolos ainda limitam a aplicação clínica. Conclui-se que a fagoterapia apresenta potencial complementar no combate à RAM, mas requer estudos clínicos e padronização para implementação na Saúde Coletiva.