Os vegetais folhosos e hortifrutis consumidos crus representam veículos críticos para a transmissão de patógenos em virtude da ausência de tratamento térmico prévio à ingestão. Este estudo objetivou avaliar e comparar o perfil microbiológico de amostras de vegetais comercializadas em serviços de alimentação de uma cidade do interior pernambucano nos períodos pandêmico e pós-pandêmico. Trata-se de um estudo transversal quanti-qualitativo exploratório, baseado no levantamento de dados laboratoriais obtidos em aulas práticas entre 2020 e 2024. Foram isoladas e analisadas amostras de alface, salada crua, cenoura, pimentão, tomate e cebola quanto à contagem de coliformes totais, Escherichia coli e microrganismos aeróbios mesófilos. Os resultados indicaram que, durante a pandemia (2020–2021), as contaminações extremas foram pontuais devido à intensificação de protocolos sanitários virais. Contudo, no pós-pandemia (2022–2024), constatou-se um severo declínio higiênico, com amostras de salada crua e cebola atingindo cargas de mesófilos de 5,5 × 10? UFC/g e 4,8 × 10? UFC/g, respectivamente. Conclui-se que a transição para o pós-pandemia pode ter provocado o relaxamento dos Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) de sanitização química de hortifrutis, elevando o risco de surtos de doenças de transmissão hídrica e alimentar.