A contaminação aeróbica em ambientes de processamento de alimentos representa uma importante via de sedimentação de bioaerossóis e contaminação cruzada de alimentos prontos para consumo. Este estudo objetivou avaliar e comparar o perfil microbiológico do ar ambiental de serviços de alimentação de uma cidade do interior pernambucano nos períodos pandêmico e pós-pandêmico. Trata-se de um estudo transversal quanti-qualitativo exploratório, baseado no levantamento de dados analíticos obtidos em aulas práticas das disciplinas de higiene e microbiologia dos alimentos e Administração dos serviços de alimentação 1, entre 2020 e 2024. Foram isoladas e analisadas amostras de ar por sedimentação passiva, expressando os resultados na unidade de medida de UFC/cm²/semana, adotando o ponto de corte de < 30 UFC/cm²/semana como critério de adequação ambiental. Os resultados indicaram que, durante a pandemia (2020–2021), a carga microbiana aérea manteve-se reduzida e adequada na maioria dos estabelecimentos devido às restrições de fluxo de pessoas e renovação forçada do ar. No pós-pandemia (2022–2024), detectou-se um severo aumento na contaminação do ar, com áreas de preparo e salas de manipulação registrando contagens de mesófilos incontáveis e picos fúngicos inadequados de até 2,53 x 10² UFC/cm²/semana. Conclui-se que o retorno ao fluxo massivo de consumidores e a falta de manutenção de sistemas de climatização pós-pandemia comprometeram a qualidade do ar, exigindo a adoção de planos de manejo ambiental.