O ambiente hospitalar impõe cargas horárias extensas, responsabilidade decisória sob pressão e convivência constante com o fim da jornada humana. Tal cenário de estresse crônico atua como uma espécie de catalisador da Síndrome de Burnout. Diante do esgotamento das defesas psíquicas e do suporte institucional fragilizado, profissionais de saúde frequentemente adotam a prática da automedicação e o abuso de substâncias psicoativas como estratégias disfuncionais de enfrentamento. O estudo analisa alguns dos determinantes comportamentais, clínicos e institucionais desse fenômeno, correlacionando o referencial teórico da saúde ocupacional com representações dramatúrgicas da série televisiva brasileira Sob Pressão. Examina-se o paradoxo da autossuficiência técnica, no qual o domínio farmacológico mascara a percepção de risco, o acesso facilitado aos fármacos no ambiente de trabalho e o impacto da cultura da invulnerabilidade. Conclui-se que o enfrentamento dessa problemática exige a superação de abordagens punitivas e a implementação de redes institucionais de acolhimento e suporte psicopatológico que contemplem a saúde de quem cuida como premissa da segurança do paciente.