O suicídio é um problema complexo de saúde pública que requer intervenções contínuas, intersetoriais e locais. O objetivo deste capítulo é examinar o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na prevenção do suicídio no Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase na identificação precoce, acolhimento, acompanhamento longitudinal e promoção da saúde mental. Realizamos uma revisão narrativa da literatura com abordagem qualitativa e exploratório-descritiva e revisamos publicações científicas e documentos normativos nacionais e internacionais. Concluímos que a proximidade das equipes com o território, o vínculo e a coordenação do cuidado tornam a APS estratégica para reconhecer a vulnerabilidade e priorizar respostas conforme as necessidades. No entanto, o estigma, a falta de capacitação, o aumento da carga de trabalho e a fragmentação da Rede de Atenção Psicossocial são as principais barreiras que permanecem. Concluímos que a prevenção deve envolver educação continuada, fluxos de cuidado definidos, apoio matricial, cuidado compartilhado e articulação comunitária, sem reduzir o fenômeno a diagnósticos individuais.