O sucesso da cirurgia bariátrica na manutenção da perda ponderal a longo prazo requer profundas modificações comportamentais e dietéticas. Este estudo teve por objetivo investigar a evolução do comportamento alimentar, o padrão dietético, o nível de atividade física e a frequência de consumo de substâncias psicoativas em pacientes bariátricos assistidos no Sistema Único de Saúde (SUS) no Maranhão, avaliando potenciais influências cronológicas e genéticas. Estudo de coorte observacional longitudinal de caráter ambispectivo com 98 indivíduos submetidos ao procedimento cirúrgico. Os questionários aplicados abrangeram o Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ-R21) adaptado e o Questionário de Frequência Alimentar (QFA). O polimorfismo rs9939609 do gene FTO foi determinado por qPCR como marcador biológico. Os dados revelaram elevada percepção subjetiva de melhora nos hábitos alimentares pós-cirúrgicos (91,8%) e 93,9% de reconhecimento dos sinais corporais de saciedade. Contudo, comportamentos de vulnerabilidade persistiram, como culpa alimentar (68,4%) e associação de comida com felicidade/bem-estar (49,0%). Não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre o polimorfismo do FTO e a frequência de consumo de alimentos obesogênicos. Em contrapartida, observou-se aumento significativo do consumo de doces e bolos ao longo dos anos pós-operatórios (p = 0,029), bem como o aparecimento de tabagismo diário (11,1%) nos pacientes com 5 anos de pós-operatório (p = 0,049). Os resultados sugerem que, embora os hábitos iniciais sejam positivos, há risco de regressão comportamental ao longo do tempo pós-cirúrgico, exigindo acompanhamento multidisciplinar contínuo de longo prazo.