O sofrimento emocional de candidatos a concursos públicos pode ultrapassar a exigência acadêmica e alcançar a saúde mental, os vínculos e a própria identidade. Este estudo analisa o adoecimento e a medicalização de candidatos às altas carreiras jurídicas a partir da persona onipotente e da figura arquetípica do Mago, articulando Psicologia Analítica, Gestalt-terapia e abordagem humanista. Trata-se de pesquisa aplicada, qualitativa, exploratória e descritiva, de caráter bibliográfico e documental, com utilização complementar de material empírico secundário. A análise indica que a crença no controle pelo conhecimento, a rigidez da preparação e a ideia de que é preciso abdicar da vida para ser aprovado podem ampliar incongruência, autocobrança, isolamento e exaustão. A medicalização também pode aparecer como tentativa de sustentar uma lógica de desempenho já adoecida. Conclui-se que a preparação precisa ser compreendida como parte de um projeto de vida, e não como condição para que a vida aconteça, valorizando flexibilidade, autorregulação, autenticidade e estratégias de promoção de saúde.