O comportamento suicida constitui um fenômeno complexo de saúde pública, atravessado por dimensões individuais, relacionais, sociais e culturais que demandam formas de compreensão capazes de considerar a singularidade da experiência sem dissociá-la das condições em que se constitui. Este capítulo tem como objetivo construir uma leitura teórico-clínica do comportamento suicida sob a perspectiva da Gestalt-terapia, articulando seus fundamentos à compreensão da experiência suicida em sua configuração relacional no campo organismo-ambiente e às possibilidades de cuidado em saúde mental. Trata-se de um ensaio teórico, de abordagem qualitativa, construído a partir da articulação entre produções sobre comportamento suicida e referenciais clássicos e contemporâneos da Gestalt-terapia. A discussão sustenta uma compreensão da experiência suicida como processual e relacional, considerando os modos de contato, os suportes disponíveis e as possibilidades percebidas diante do sofrimento. Nessa perspectiva, o cuidado implica acolher a singularidade da experiência sem reduzir a pessoa ao comportamento suicida, articulando vínculo terapêutico, avaliação clínica, estratégias de proteção e cuidado em rede.