O diagnóstico tardio do autismo pode encerrar uma longa busca por compreensão, mas não responde, por si, às necessidades que permanecem depois dele. Este capítulo discute o cuidado pós-diagnóstico destinado a adultos autistas, com atenção às concepções de desenvolvimento e funcionalidade, à participação do indivíduo na definição dos objetivos terapêuticos e às barreiras relacionadas ao acesso, à continuidade assistencial e às expectativas profissionais. Trata-se de revisão bibliográfica narrativa, qualitativa e teórico-reflexiva, na qual estudos contemporâneos sobre autismo adulto constituem a base empírica e contribuições de Carl Gustav Jung e Walter Benjamin funcionam como matriz interpretativa. Os resultados indicam que a oferta de suporte pós-diagnóstico é variável e nem sempre corresponde às necessidades identificadas pelos próprios adultos autistas. A análise evidencia ainda uma tensão importante entre aceitação e mudança: reconhecer o autismo como condição permanente não torna permanentes todas as dificuldades apresentadas pelo indivíduo, assim como desenvolvimento não precisa significar aproximação a um padrão neurotípico de funcionamento. Conclui-se que o cuidado pós-diagnóstico exige participação do adulto, individualização dos objetivos e uma compreensão de funcionalidade que considere sua trajetória, suas necessidades e aquilo que deseja desenvolver, preservar ou adaptar.