Este capítulo analisa as possibilidades da arteterapia no cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Foi realizada uma revisão narrativa crítica com artigos de texto completo indexados no PubMed e na SciELO. Nove publicações atenderam aos critérios definidos, incluindo estudos diretamente relacionados ao acolhimento, revisões sobre arteterapia infantojuvenil e pesquisas brasileiras sobre saúde mental, vínculos e participação artístico-cultural. Os resultados indicam que a criação artística pode favorecer expressão, interação, percepção de apoio e construção de pertencimento. Entretanto, poucos estudos avaliaram especificamente a arteterapia em instituições de acolhimento e as intervenções apresentaram grande diversidade. Os achados não permitem afirmar que uma técnica ou material seja superior, nem que atividades artísticas substituam acompanhamento clínico quando necessário. A contribuição mais consistente está na oferta de espaços de criação que respeitem as escolhas dos participantes e estejam articulados à rede de cuidado. Conclui-se que a arteterapia apresenta possibilidades relevantes nesse contexto, mas ainda necessita de estudos com amostras maiores, acompanhamento prolongado e participação ativa de crianças e adolescentes na avaliação das práticas.