O trabalho de catadores de materiais recicláveis ocupa lugar central na gestão de resíduos sólidos no Brasil, mas é historicamente marcado por precariedade, estigma e exposição a riscos ocupacionais. Poucos trabalhos avaliam os fatores inerentes à saúde mental dessa classe, reforçando a necessidade de pesquisas voltadas à esses aspectos. O objetivo desse trabalho é realizar uma revisão narrativa, analisando os fatores psicossociais que influenciam a saúde de trabalhadores da reciclagem no Brasil. Foram selecionados artigos que abordam satisfação e insatisfação no trabalho, percepção de riscos, condições laborais e intervenções de cuidado. Os resultados encontrados indicam que os fatores psicossociais centrais incluem identificação com o trabalho e sentido de dignidade; reconhecimento social e familiar; qualidade das relações interpessoais e clima organizacional nas cooperativas; possibilidades de participação e negociação na organização do trabalho. Conclui-se que intervenções que integrem pesquisa e cuidado, como a pesquisa convergente-assistencial, são promissoras para promover saúde mental e fortalecer o trabalho coletivo entre catadores.