A expansão predatória da fronteira agrícola no Cerrado engendra severos impactos ecológicos e aprofunda a invisibilização do adoecimento comunitário. Este artigo analisa a tecnologia social digital "App Reserva Araras", desenvolvida no Vão do Paranã (Nordeste Goiano) junto ao Território Quilombola Kalunga e camponeses. Ancorado na Determinação Social da Saúde e na categoria "corpo-território", o estudo adota pesquisa-ação participante e estudo de caso, articulando mapeamento participativo offline-first a um protocolo algorítmico de validação lógica em Python. Os resultados evidenciam que a ferramenta consolida a Vigilância Popular em Saúde Ambiental, qualificando a cadeia de custódia probatória frente à contaminação por agrotóxicos e enfrentando a solastalgia resultante do ecocídio. A integração do módulo agroecológico e o resgate de espécies nativas convergem diretamente para o paradigma da Saúde Única (One Health) ao demonstrar a interdependência entre saúde humana, fauna e preservação do bioma. Destaca-se a capacidade do protocolo de ser replicado em outros biomas e comunidades tradicionais lusófonas, instituindo uma metodologia aberta de soberania de dados, contra-perícia territorial e litigância climática e sanitária em defesa da vida.