Este estudo tem como objetivo analisar as contribuições da ontologia do afeto proposta por Bader Sawaia (2009) para compreender a deficiência para além da lógica biomédica da falta e do sobrevivencialismo, em direção a produção de modos próprios de existência. Trata-se de uma revisão narrativa de abordagem qualitativa, de natureza básica e exploratória. A análise articula a ética dos afetos de Baruch Espinosa (Deleuze, 1988) e na perspectiva da defectología de Lev Vygotsky (1997) evidenciando como o capacitismo e a fadiga de acesso, organizados como tirania, restringem a potência de agir. Enfim, conclui-se que a transformação do sofrimento em indignação e ação criativa possibilita a abertura para imaginação e criação de outras vivências coletivas que dissidem da norma, resistindo à servidão por meio da produção de afetos alegres.