Este capítulo discute a identificação precoce de sinais de transtorno do espectro autista (TEA) pela equipe multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (eMulti), em atuação complementar e integrada às equipes de referência. Apresentam-se sinais de alerta nos domínios da comunicação social, linguagem, brincadeira, comportamentos restritos e repetitivos, processamento sensorial e regulação, destacando-se que nenhum sinal isolado confirma o diagnóstico. Propõe-se um fluxo de cuidado baseado em vigilância do desenvolvimento, escuta das preocupações familiares, observação em diferentes contextos, rastreio, avaliação interdisciplinar, intervenção oportuna e coordenação com a rede. São descritos instrumentos que podem apoiar o trabalho, com ênfase na Caderneta da Criança e no M-CHAT-R/F, além de medidas de segundo nível e instrumentos de avaliação especializada. Discute-se a necessidade de respeitar faixa etária, finalidade, treinamento, licenças e atribuições profissionais. Conclui-se que a contribuição central da eMulti não se limita à aplicação de escalas: ela consiste em ampliar a resolutividade da APS por meio do cuidado compartilhado, da orientação à família, do apoio matricial e da articulação intersetorial, sem condicionar o início dos apoios à confirmação diagnóstica.