Este capítulo discute os impactos da exposição às telas na infância e adolescência, destacando que a rápida inserção das tecnologias digitais no cotidiano familiar trouxe desafios para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e para a convivência de crianças e adolescentes. A pandemia de COVID-19 intensificou esse fenômeno, mas estudos mostram que a tendência antecede a crise sanitária, refletindo mudanças mais amplas nos padrões de consumo tecnológico. Esta revisão narrativa reúne pesquisas recentes e referências históricas, ressaltando que os primeiros anos de vida são críticos para a formação das capacidades cognitivas e socioemocionais. Estudos apresentam um aumento significativo do tempo de tela em diferentes faixas etárias, com uso precoce de televisão, smartphones e tablets, mesmo diante das recomendações de evitar exposição antes dos 2 anos. Fatores parentais, socioeconômicos e culturais influenciam fortemente os hábitos de uso, e a consolidação de hábitos digitais precoces dificulta sua substituição por práticas mais saudáveis. Entre os prejuízos imediatos estão distúrbios do sono, irritabilidade e dificuldades de atenção; de forma indireta, observam-se sobrecarga sensorial, isolamento social e redução da atividade física, que podem resultar em consequências amplas como obesidade, ansiedade e déficit de habilidades sociais. Nesse contexto, instituições médicas recomendam evitar ou moderar o uso de telas, priorizando atividades vivenciais e físicas.