O consumo de cafeína integra práticas cotidianas de estudantes universitários e assume relevância particular nos cursos da área da saúde, em que longas jornadas de estudo, avaliações frequentes e exigências de desempenho coexistem com redução do tempo disponível para descanso. Este capítulo analisa padrões de consumo de cafeína e repercussões autorreferidas entre estudantes de Medicina e Enfermagem, articulando evidências biomédicas sobre vigília, sono e ansiedade às contribuições da Psicologia e das Ciências Humanas sobre adaptação, normalização e cultura do desempenho. Trata-se de estudo qualitativo, teórico-reflexivo, construído por pesquisa bibliográfica e análise documental secundária de dados de investigação quantitativa previamente realizada com 148 estudantes. Os achados evidenciaram uso da cafeína associado à manutenção da vigília, à concentração e a períodos de maior demanda acadêmica, concomitantemente à ocorrência de insônia, nervosismo ou ansiedade e outras repercussões físicas. Argumenta-se que a cafeína não constitui, isoladamente, causa nem solução para as tensões identificadas, mas pode operar como recurso cotidiano de adaptação às exigências acadêmicas. A formação em saúde demanda, assim, reflexão não apenas sobre substâncias e seus efeitos, mas sobre as condições em que sono, cansaço e limites fisiológicos passam a ser percebidos como obstáculos ao desempenho.