A saúde mental dos povos indígenas da Amazônia é um campo marcado por desafios éticos, metodológicos e interculturais, especialmente diante das limitações dos modelos psicológicos e biomédicos convencionais. O estudo buscou analisar os desafios éticos e interculturais, enfrentados pelo psicólogo na prática clínica junto aos povos indígenas da Amazônia, com foco na articulação entre a Psicologia e os saberes tradicionais de cura. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica da literatura científica. A estratégia de busca foi estruturada com base no método PICO, contemplando bases como SciELO, BVS, LILACS, PubMed, PePSIC, além de repositórios institucionais e documentos da SESAI, FUNAI e Fiocruz. Os resultados evidenciaram a escassez de estudos específicos sobre a atuação clínica da Psicologia em contextos indígenas amazônicos, bem como a crescente valorização de abordagens interculturais que integrem saúde mental, território, espiritualidade e práticas tradicionais de cuidado. Conclui-se que a construção de práticas psicológicas culturalmente sensíveis e fundamentadas no diálogo intercultural, tende a constituir um elemento essencial para a proporcionar a saúde mental indígena, e para a descolonização das práticas de cuidado em saúde.