A Atenção Primária à Saúde (APS) em territórios rurais enfrenta desafios relacionados à dispersão populacional, barreiras geográficas, limitações de transporte e dificuldades de comunicação, demandando estratégias adaptadas às especificidades locais. Este trabalho teve como objetivo relatar a experiência de uma equipe da Estratégia de Saúde da Família no desenvolvimento de estratégias de organização, voltadas ao enfrentamento das barreiras de acesso e à promoção da equidade em saúde. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde de um município do Ceará, no período de janeiro a dezembro de 2025. A unidade acompanha aproximadamente 2.000 famílias, distribuídas em seis microáreas. Foram desenvolvidas estratégias de descentralização dos atendimentos para as comunidades, criação de grupos em aplicativos de mensagens, articulação com lideranças comunitárias e fortalecimento do Conselho Local de Saúde. A experiência favoreceu a aproximação entre equipe e população, ampliou as possibilidades de comunicação e participação comunitária e possibilitou adequar a oferta de cuidado às particularidades territoriais. A reorganização do processo de trabalho, a partir das necessidades locais, constitui estratégia relevante para fortalecer a APS, ampliar o acesso e concretizar os princípios do SUS no cotidiano dos serviços.