As superfícies de contato direto com alimentos prontos para consumo (APC) representam importantes vias de contaminação cruzada em serviços de alimentação. Este estudo objetivou avaliar as condições microbiológicas de utensílios e equipamentos antes, durante e após a pandemia da COVID-19 em um município do Sertão Pernambucano. Trata-se de um estudo transversal quanti-qualitativo exploratório, fundamentado em análises de swabs de superfícies realizadas entre 2019 e 2024. Foram quantificados coliformes totais, Escherichia coli e aeróbios mesófilos, confrontando-os com os parâmetros da American Public Health Association (APHA). Os resultados indicaram picos críticos de contaminação em copos de liquidificadores e apoios de corte no período anterior à pandemia (2019) e uma sutil melhora higiênica no período pandêmico (2020–2021). No entanto, o cenário pós-pandemia (2022–2024) revelou um relaxamento nos protocolos sanitários, com elevadas contagens bacterianas e recorrentes inadequações analíticas (presença de contagens incontáveis de microrganismos mesófilos e coliformes). Conclui-se que o impacto inicial da COVID-19 promoveu uma conscientização sanitária temporária, mas que não se sustentou a longo prazo nos estabelecimentos avaliados, reforçando a necessidade emergencial de ações contínuas de vigilância e capacitação em boas práticas de manipulação.