Jornadas assistenciais complexas atravessam profissionais, setores, sistemas e documentos distintos, embora o usuário as viva como um percurso contínuo. Na terapia para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outros transtornos globais do desenvolvimento, essa tensão ganha relevo diante da longitudinalidade, da multiprofissionalidade e da ampliação da cobertura na saúde suplementar. Este capítulo analisa como a Inteligência Artificial (IA) pode apoiar a investigação e o redesenho de processos assistenciais fragmentados, a partir de experiência em uma operadora de saúde suplementar. Trata-se de estudo descritivo-exploratório, qualitativo, baseado em análise documental, mapeamento do processo real, análise de interfaces organizacionais e pesquisa multifonte assistida por IA. A tecnologia contribuiu sobretudo para localizar, organizar, confrontar e relacionar informações antes dispersas, sem substituir a decisão profissional, o que permitiu identificar relações entre problemas de diferentes etapas da jornada, subsidiar intervenções e estruturar conhecimento reutilizável. Sob a ótica da Saúde Coletiva, discute-se como fragmentações organizacionais e informacionais repercutem no acesso, na continuidade e na coordenação do cuidado. Conclui-se que a IA pode reduzir a fragmentação informacional que antecede a decisão, desde que associada à validação das fontes, à governança de dados e à responsabilidade humana.