Os enchidos tradicionais constituem uma componente relevante do património gastronómico e socioeconómico português, assumindo particular expressão cultural em regiões como Trás-os-Montes. Contudo, a sua composição nutricional caracteriza-se frequentemente por teores elevados de sódio e de gordura saturada, cujo consumo excessivo constitui um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV). A reformulação nutricional destes alimentos apresenta-se como um desafio complexo, que exige conciliar metas de saúde pública com a preservação da identidade sensorial, microbiológica, tecnológica e cultural destes produtos. A redução do cloreto de sódio (NaCL), designadamente através da sua substituição parcial por cloreto de potássio (KCl), e a melhoria do perfil lipídico, mediante a redução do teor de gordura saturada e a sua substituição por ácidos gordos mono e polinsaturados, podem constituir estratégias para melhorar o perfil nutricional. A evidência científica demonstra que, embora a reformulação melhore o perfil nutricional do alimento, não transforma por si só o enchido num alimento "saudável". O seu consumo deve ser enquadrado num padrão alimentar globalmente equilibrado, como a Dieta Mediterrânica, na qual a frequência e a quantidade de consumo de carnes processadas devem permanecer moderadas.