A crise epistêmica na saúde contemporânea exige novos paradigmas que superem o modelo biomédico fragmentado, especialmente em contextos de conflito agrário como o Cerrado brasileiro. Este trabalho apresenta uma proposta metodológica para o ensino da Antropologia na Saúde, centrada na categoria " corpo-território" e instrumentalizada pelo " App Reserva Araras" . Desenvolvido no Vão do Paranã (GO), o aplicativo opera como dispositivo de " Ecologia de Saberes" , integrando vigilância popular e dados técnicos. A metodologia baseou-se na pesquisa-ação participante e no desenvolvimento de tecnologia " Offline-First" . Os resultados demonstram que a ferramenta permite monitorar a Determinação Social da Saúde, correlacionando qualidade ambiental e sofrimento psíquico, além de validar juridicamente saberes tradicionais. Conclui-se que a formação profissional deve incorporar a competência territorial, utilizando a tecnologia para garantir a soberania de dados e a defesa da vida.