O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir a integralidade do tratamento medicamentoso ambulatorial, com linhas de cuidado definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Entretanto, barreiras informacionais e operacionais — incluindo o correto preenchimento do Laudo de Medicamentos Especializados (LME) — podem retardar o início e a continuidade do tratamento. Este capítulo descreve um projeto de extensão que implantou um polo universitário de orientação e apoio ao preenchimento do LME no Centro de Saúde Vasco Barcelos (Nova Iguaçu/RJ), com participação discente e supervisão docente. Foram aplicados questionários estruturados na admissão (n=238) e na renovação do processo (n=197). Na admissão, 81% relataram nunca ter ouvido falar em LME e 85% informaram que o médico não havia preenchido o laudo. Na renovação, 50% relataram interrupção no fornecimento; o tempo para conseguir a medicação concentrou-se em semanas a um mês; e parte dos usuários relatou compra direta ou períodos sem tratamento durante a espera. A experiência indica que polos extensionistas podem reduzir fricções de acesso, qualificar a formação em serviço e fortalecer a integração universidade–serviço–comunidade.