Introdução: A saúde mental infantojuvenil constitui importante desafio para os sistemas de saúde, diante da crescente ocorrência de ansiedade, depressão, autolesão, comportamento suicida, violência, bullying, cyberbullying e outras formas de sofrimento psíquico que repercutem no desenvolvimento, nas relações familiares, no desempenho escolar e na participação social de crianças e adolescentes. Objetivo: Analisar os desafios contemporâneos da saúde mental infantojuvenil no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), discutindo a organização da atenção psicossocial e as principais estratégias de promoção, prevenção e cuidado. Método: Trata-se de revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico. A busca contemplou publicações entre janeiro de 2020 e agosto de 2026 nas bases MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO e Scopus, além de documentos normativos e políticas públicas relevantes para a organização da atenção psicossocial infantojuvenil no Brasil. Os achados foram analisados de maneira interpretativa e organizados por aproximação temática. Resultados: Evidenciou-se que o sofrimento psíquico de crianças e adolescentes apresenta natureza multifatorial, relacionando-se a desigualdades sociais e territoriais, violência, fragilidade dos vínculos, dificuldades escolares e familiares e novas vulnerabilidades associadas aos ambientes digitais. Persistem desafios relacionados ao acesso, à fragmentação do cuidado, à articulação da Rede de Atenção Psicossocial e à qualificação profissional. A Atenção Primária à Saúde apresenta papel estratégico na promoção da saúde mental, identificação precoce e acompanhamento longitudinal, enquanto os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis são fundamentais para situações de maior complexidade. Destacou-se ainda a necessidade de articulação entre saúde, educação, assistência social, família e comunidade. Conclusão: O fortalecimento da saúde mental infantojuvenil no SUS requer uma rede territorial, integrada e intersetorial, capaz de articular prevenção, identificação precoce, cuidado contínuo e atenção especializada, assegurando assistência integral, humanizada e adequada às singularidades de crianças e adolescentes.