Introdução: A precarização do trabalho em saúde constitui fenômeno estrutural intensificado pela flexibilização das relações trabalhistas, pelo subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e pela lógica produtivista, com repercussões sobre a saúde mental dos trabalhadores e a sustentabilidade dos serviços. Objetivo: analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, os efeitos da precarização do trabalho na saúde mental dos trabalhadores da saúde e suas repercussões para a economia da saúde. Método: revisão narrativa, de caráter descritivo e analítico, construída a partir do corpus bibliográfico já selecionado para o manuscrito, composto por estudos nacionais e internacionais, obras teóricas e documento oficial relacionados à saúde coletiva, saúde do trabalhador, psicodinâmica do trabalho, gestão do trabalho e economia da saúde. A seleção teve caráter intencional e não exaustivo, orientada pela pertinência aos eixos temáticos da revisão. Resultados e discussão: a síntese narrativa indica que vínculos empregatícios precários, sobrecarga laboral, jornadas exaustivas, insuficiência de recursos e fragilidade das políticas de valorização profissional estão associados ao sofrimento psíquico, incluindo ansiedade, depressão, estresse ocupacional e burnout. O adoecimento mental também se relaciona a repercussões econômicas para o SUS, como absenteísmo, presenteísmo, afastamentos, rotatividade, redução da produtividade, comprometimento da qualidade assistencial e elevação de custos operacionais, além de custos intangíveis relacionados à qualidade de vida e à satisfação profissional. Considerações finais: a literatura analisada reforça a necessidade de políticas estruturantes de valorização dos trabalhadores, melhoria das condições laborais, fortalecimento da gestão do trabalho e promoção da saúde mental, compreendendo tais medidas como investimentos para qualificar a assistência, reduzir custos evitáveis e fortalecer a sustentabilidade do SUS.