1. INTRODUÇÃO: A EMBRIOLOGIA E O DESAFIO DA GEMELARIDADE MONOCORIÔNICA MONOAMNIÓTICA
A gemelaridade conjugada representa uma das apresentações mais complexas da obstetrícia de alta vigilância. Decorrente da divisão incompleta do disco embrionário após o décimo terceiro dia pós-fertilização, ou de uma fusão secundária de discos embrionários adjacentes, a gestação de gêmeos unidos (popularmente denominados siameses) ocorre em uma frequência estimada entre 1:50.000 e 1:200.000 nascimentos, estando invariavelmente associada à condição de monocorionicidade e monoamniocidade (FREITAS et al., 2019; CASTRO et al., 2021).
O manejo clínico durante o período pré-natal exige um diagnóstico estrutural acurado, identificação precoce das áreas de fusão compartilhadas e vigilância hemodinâmica contínua. As anomalias vasculares e cardíacas complexas associadas a essa condição elevam as taxas de perda gestacional precoce, restrição de crescimento e óbito intrauterino (GONSALVES et al., 2024; TEIXEIRA CASTRO et al., 2021).
Este capítulo delineia os desafios obstétricos inerentes ao acompanhamento pré-natal da gestação de gêmeos conjugados, com ênfase nas modalidades de imagem diagnóstica, na estratificação morfológica, no planejamento da via de parto e na assistência multiprofissional.