1. INTRODUÇÃO: O PARADIGMA REPRODUTIVO NO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica crônica com marcante predomínio no sexo feminino durante a menacme (PATTON; SIDDIQUE; LAL, 2025). Historicamente, a gestação em mulheres com LES era desaconselhada devido às altas taxas de reativação da doença, perdas fetais recorrentes e mortalidade materna. Contudo, o aprimoramento da estratificação de risco, a consolidação do planejamento pré-concepcional e a manutenção de imunomoduladores seguros transformaram o prognóstico obstétrico (ZHANG et al., 2025; UTHURRIAGUE et al., 2025).
Apesar desses avanços, a gestação lúpica permanece como um modelo de alta complexidade. A interação entre as alterações imunológicas fisiológicas da gravidez e os mecanismos autoimunes do LES predispõe a complicações graves, incluindo pré-eclâmpsia precoce, restrição de crescimento intrauterino (RCIU), prematuridade extrema, lúpus neonatal e óbito fetal (SUN; LI; LI, 2025; CAJAMARCA-BARON et al., 2025).
Estudos qualitativos e de teoria fundamentada destacam que o significado atribuído à maternidade por essas mulheres é permeado pelo medo da reativação e pela necessidade imperativa de planejamento reprodutivo compartilhado com a equipe assistencial (SOUZA et al., 2025). Este capítulo aborda as bases fisiopatológicas, a farmacoterapia com ênfase no papel protetor da hidroxicloroquina, o manejo do lúpus neonatal e a assistência multiprofissional à gestante com LES.